Pedagoga fala sobre os cuidados fundamentais e como os pais podem estimular positivamente os pequenos

A primeira infância, período que vai do nascimento até os três anos de idade, é um período fundamental para nossa formação e servirá de base para as aprendizagens que ocorrerão ao longo da vida. Várias pesquisas já constataram que a qualidade de vida nesta fase influencia fortemente as contribuições futuras à sociedade na vida adulta.

O três primeiros anos são essenciais para a estruturação cerebral, pois é neste período que as conexões sinápticas, ou seja, a troca de informações que envolve processos químicos e elétricos do cérebro, acontecem com maior agilidade. “Essas conexões ocorrem por toda a vida, mas é comprovado que crianças que recebem maior estímulo nos três primeiros anos apresentam uma base diferenciada e mais rica em relação à aprendizagem”, explica Cristiane Beserra Ferreira, pedagoga consultora da Netfarma (http://www.netfarma.com.br) e diretora pedagógica do Colégio Stella Maris.

Boa parte das ligações entre os neurônios acontecem durante a primeira infância. Desde a gestação, o cérebro da criança registra memórias como os diálogos dos pais e músicas. Um exemplo disto é um dos casos estudados pela pedagoga Cristiane no curso de pós graduação de Neurociências. “No oitavo mês de gravidez, a gestante caiu da escada de casa. Não houve qualquer tipo de sequela, mas quando o bebê estava perto dos quatro meses, a mãe notou que ele ficava agitado e apresentava choro excessivo quando subia ou descia a mesma escada. Ou seja: pode haver indícios de que ainda na gestação sua memória registrou o trauma”, ela relata.

A formação da criança é impulsionada por necessidades emocionais, psicológicas e claro, físicas. Segundo a pedagoga consultora da farmácia online Netfarma, o prazer e os momentos de “frustração” são fundamentais para a construção de uma base emocional e afetiva sólida. “As necessidades emocionais dessa fase são todas ligadas à proteção e ao contato físico, como a amamentação, carinhos e atividades afins que normalmente compõem, ou deveriam compor, a rotina de uma criança entre o nascimento e os três anos”, ela diz.

Esta fase é especialmente marcada pelo egocentrismo, pois a atenção dos pais, familiares próximos e também da escola, é totalmente direcionada à criança. Por conta disto, é importante se atentar aos excessos para que o cuidado não se transforme em “mimos”. “Geralmente os cuidados em excesso refletem a insegurança dos pais e acabam privando a criança de ter suas próprias experiências. Isto não quer dizer que os pais não devam monitorar e acompanhar as tentativas dos pequenos, mas sim que devem orientá-los e encorajá-los a serem independentes, dentro da limitação e faixa etária de cada um”, explica Cristiane. Para evitar que os cuidados excessivos atrapalhem a formação, é importante que desde cedo os pais imponham limites aos pequenos. Segundo a pedagoga, o convívio com outras crianças, a divisão da atenção, de brinquedos e até mesmo de espaço físico são essenciais para a independência e convivência em sociedade.

A escola é uma grande aliada no estímulo à independência das crianças, uma vez que possui uma ferramenta a mais que a família: a interação diária com outras crianças e grupos de faixa etária diversificada. “O convívio em grupo com outras crianças fortalece de forma saudável a transição do egocentrismo para a sociabilização. E o educador exerce um papel fundamental, pois é quem media os atritos e estimula o convívio em grupo, e o desenvolvimento cognitivo através das atividades pedagógicas”, afirma a pedagoga.

Fonte: Rede Nacional Primeira Infância


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